50 ANOS DO ALOUETTE III - Uma pintura especial e um encerramento não-oficial

Texto: Paulo Mata 
Artigo publicado no jornal Take-Off de Dezembro de 2013




Neste último ano de 2013, durante o qual diversas iniciativas comemoraram o cinquentenário da frota de Alouette III (AL III) da Força Aérea Portuguesa (FAP), já muito (e bem) se escreveu sobre estre mítico helicóptero. Não vamos por isso repetir neste artigo a “matéria dada”, mas antes contar nalgumas pinceladas, a sua história mais relevante. Tentar perceber o porquê do carinho e a reverência com que ainda hoje é tratado, transversal a todos os que de um modo ou doutro com ele contactaram, e que é talvez um dos segredos da sua longevidade.
A força dos números não mente (50 anos, 142 unidades, 325.000 horas voadas, 8 esquadras, 555 pilotos formados) e o AL III apesar do aspecto franzino, acabou por tornar-se num caso único entre as frotas operadas desde sempre pela FAP. Números que significam sangue suor e lágrimas de muitos que o operaram, mas também a alegria, o conforto e a vida que muitos lhe devem.
A sua história merece por isso ser divulgada e para o efeito surgiu a ideia de a contar através duma aeronave especialmente pintada.

50 anos de história numa pintura


A proposição não era fácil. Podia até dizer-se à partida, que era história a mais para tão pouca “tela”, dado que a aeronave a decorar, não é grande em tamanho físico e muita da sua área está ocupada pela enorme “bolha” vítrea que constitui a cabina.
Mas já esta constatação em si, não deixa de encerrar um simbolismo, para a enormidade dos feitos que desempenhou uma aeronave tão pequena.
Havia ainda assim, que concretizar uma pintura em que, todos os que, por uma razão ou outra com o AL III contactaram, nela se pudessem rever, mantendo simultaneamente uma coerência estética e artística, a conferir pelo trabalho do artista gráfico Miguel Amaral. A concepção, essa foi do então Zangão-Mor, TCor Carlos Paulino.

Pormenor da pintura - bombordo

O lado de bombordo foi por isso reservado para as esquadras e o período das guerras de África, onde começou aliás a história dos AL III da Cruz de Cristo.
A cor “olive drab” dominante, foi escolhida para simbolizar o carácter bélico deste período, durante o qual os AL III actuaram em múltiplas frentes de combate e receberam aliás, o seu baptismo de fogo a nível mundial.
Apesar de não ser o tempo cronologicamente mais longo da sua vida operacional, foi porventura a época mais marcante da sua história e que mais gente marcou, dada a quantidade e tipologia das operações realizadas. No meio de nenhures em Angola, Guiné ou Moçambique (e até Timor-Leste se tivermos em conta um curto destacamento com duas aeronaves em 1975), o AL III significava para as tropas no terreno, apoio vindo dos céus, na forma dos reforços, mantimentos ou do fogo de cobertura que podia aportar com o helicanhão. Significava ainda um alívio e uma segurança moralizadores para as tropas, ao permitir uma rápida evacuação de tropas ou feridos, impossível de outra forma, dos remotos locais onde muitas vezes se encontravam.
Na porta esquerda do helicóptero de matrícula 19376, constam assim os emblemas das cinco esquadras de voo que operaram o AL III nas antigas províncias ultramarinas: Esquadra 94 também designada “Moscas”, baseada na BA9 em Luanda, a primeira a receber e operar o modelo na Força Aérea Portuguesa. Também de Angola está representado o emblema da Esquadra 402 Saltimbancos, então baseada no AB4 em Henrique de Carvalho. Da Guiné Bissau a simbologia da Esquadra 122 – Canibais, baseada na BA12 em Bissalanca, e de Moçambique a Esquadra 503 – Índios (com base no AB5 em Nacala) e 703 – Vampiros (baseada no AB7 em Tete), completam as unidades desta época representadas.
Por cima dos emblemas, em algarismos o ano de 1963, em que foram recebidas as primeiras unidades e se realizou o primeiro voo, pelo Cap. Abel Queiroz (primeiro comandante da Esquadra 94) em Luanda, a 18 de Junho.
A fechar o painel esquerdo, a transição da pintura para a cauda é feita através da silhueta de um zangão, que deu o nome à única esquadra de Alouette III a operar na metrópole, (a Esquadra 33 então baseada na BA3 em Tancos) onde era ministrada formação aos pilotos de helicópteros, com destino ao Ultramar. Foi também a única esquadra a efectuar a transição entre o período da guerra e pós-guerra, sendo posteriormente renomeada 552, mas mantendo o zangão como símbolo.
Apropriadamente, a Cruz de Cristo deste lado, bem como os algarismos da matrícula, adquiriram os formatos usados nas décadas de 60 e 70.

Pormenor da pintura - estibordo

O lado de estibordo representa o período do pós-guerra, podendo distinguir-se os dois esquemas de pintura ainda em uso actualmente na FAP: o camuflado e o dos Rotores de Portugal. Nestas duas pinturas englobam-se as actividades e missões desempenhadas neste espaço temporal e físico. O redireccionamento para novas ideologias e tácticas, em que se passaram a incluir o ataque anti-carro e o transporte de controladores aéreos avançados por exemplo. A formação de pilotos para outros ramos das Forças Armadas (Marinha e Exército) e outras frotas de helicópteros (Puma, Merlin e Lynx).
Uma vez mais, os emblemas de todas as unidades que operaram o AL III neste período, estão representados: Esquadra 551 (BA6 – Montijo), Esquadra 111 e Esquadra 33 (mais tarde Esquadra 552 conforme aludido anteriormente) da BA3 –Tancos. Após a extinção das Esquadras 111 e 551, a Esquadra 552 – Zangões, tornar-se-ia a única a operar o modelo em Portugal, sendo por isso a fiel depositária de toda a tradição e memórias das suas antecessoras. Em 1993 relocalizou-se na BA11 em Beja, onde está baseada até hoje.

Em destaque ainda do lado direito da fuselagem, os emblemas usados pela patrulha acrobática Rotores de Portugal, que entre 1976 e 2010 (ainda que com alguns interregnos) proporcionaram momentos mágicos nos céus, tirando partido das extraordinárias características da aeronave e de toda a proficiência dos homens que os pilotaram durante esses anos. As exibições dos Rotores de Portugal foram sempre um ponto alto dos eventos em que participaram, honrando e elevando as cores do país que servem.

Na deriva do aparelho, pintada a branco de ambos os lados, relembra-se uma das mais importantes missões realizadas após o regresso de África. Entre Fevereiro de 2000 e Julho de 2002, quatro AL III pintados com as cores das Nações Unidas foram destacados para Timor Leste, em apoio durante o crítico período de transição para a independência daquela antiga colónia portuguesa, conforme se sabe ocupada pela Indonésia durante aproximadamente duas década se meia. Foi a primeira vez que aeronaves portuguesas envergaram a cor branca das Nações Unidas e foi por outro lado, o regresso do AL III ao ambiente de guerra. O emblema deste destacamento está representado a estibordo, bem como a primeira das matrículas das Nações Unidas, usadas pelos aparelhos durante esse período.

A missão de Busca e Salvamento

O dorso da deriva, em vermelho “day glow”, evoca uma das missões de interesse público assumidas em Portugal continental depois do 25 de Abril: a busca e salvamento costeira, assegurada a partir de várias localizações no país ao longo dos anos pelo AL III. Esta missão é actualmente ainda assegurada com duas aeronaves em alerta permanente, uma na BA11 em Beja e outra no destacamento no AM1 em Ovar. O apoio aos incêndios florestais e situações de catástrofe é também uma missão desempenhada, sempre que chamados a intervir pelas autoridades civis competentes.

Do lado esquerdo da deriva e sobre a cor branca referida, a letras de ouro o logótipo das comemorações dos 50 anos da frota  SE3160 Alouette III da Força Aérea Portuguesa.


Um encerramento não-oficial das comemorações


Ao fim deste meio século, em que quase centena e meia de AL III envergaram a Cruz de Cristo, restam apenas meia dúzia operacionais para carregar o testemunho (19302, 19312, 19349, 19368, 19376, 19401). O feito, não é contudo despiciendo e muito deve à abnegação e empenhamento dos mecânicos que durante estas cinco décadas os mantiveram em condições de voo. Uma prova disso mesmo, foi dada no encerramento das actividades de 2013, com a simbólica exibição da bandeira branca por parte da Manutenção, sinal de que todas as aeronaves da frota estavam disponíveis para voar; e o subsequente voo em formação das mesmas (exceptuando a aeronave de alerta destacada no AM1 por razões óbvias).
Pode dizer-se que foi um encerramento não-oficial das comemorações do cinquentenário do AL III, com uma prova inequívoca da vida que ainda lhe corre nas veias.

Quando se fala do Aloutte III e dos Zangões, é difícil saber se o espírito cultivado dentro da Esquadra foi herdado da máquina que operam, ou se pelo contrário as qualidades que se reconhecem ao “Zingarelho”, de servir muito além do dever e um generoso espírito de sacrifício, foram adquiridos dos homens que o fazem voar.
Seja qual for a verdade, a “malta dos helicópteros”* será sempre uma classe à parte no universo da aviação militar. E o Alouette III o seu símbolo maior.










* Expressão do hino dos Zangões

Agradecimentos: Todos os elementos da Esquadra 552 sem excepção. Gab. De Relações Públicas da Força Aérea. Miguel Amaral

DE PORTUGAL PARA A ROMÉNIA - com orgulho

Texto: Paulo Mata e António Luís
Artigo publicado na revista Sirius de Setembro de 2016



“Falar de F-16 em Portugal, é falar de uma história de sucesso”, foi uma das frases que se puderam ouvir no dia 28 de Setembro, na Base Aérea nº5 (BA5) em Monte Real, na cerimónia de entrega à Roménia, dos primeiros seis de um total de doze caças deste tipo.
Podendo à primeira vista ser confundida com uma mera expressão de ocasião, proferida na exaltação do momento, encerra neste caso uma verdade insofismável e facilmente comprovável. Qualquer que seja o ângulo pelo qual se observe o programa F-16 em Portugal, desde as frias e inequívocas estatísticas, aos mais subjectivos ganhos que aportou à própria FAP em termos de evolução e organização, e ao país em termos de tecnologia e prestígio, a conclusão é sempre a mesma.
O corolário e a coroa desse sucesso, podem ser observados no seu último capítulo: a alienação de uma dúzia dessas aeronaves para a Força Aérea Romena.

Um dos pilotos romenos que recebeu instrução em Monte Real

Os F-16 nas cores romenas com a torre de controlo da BA5 em fundo
Corolário, porque a história de sucesso do F-16 na FAP, a tornou numa escolha lógica para um novo operador como a Roménia. Que assinou em 2013 um contrato, que além da cedência das aeronaves, incluía ainda a sua modernização ao padrão OFP 5.2, revisão e upgrade de motores. A formação de pilotos, técnicos, engenheiros e planeadores de missão. Tudo isto só foi possível, devido ao capital de confiança de que o programa F-16 nacional dispõe internacionalmente.

Coroa, porque o desfecho de mais este episódio na história que começou em 1994 em Portugal, é a prova inequívoca da capacidade e maturidade nacionais, na operação, manutenção e modernização de uma aeronave de tecnologia de topo, a nível mundial, como é o F-16.

Mecânico romeno e português na chegada de uma missão de treino de um F-16 romeno

Por a história ser de sucesso, não se pense contudo que tudo foi fácil. Para honrar os compromissos assumidos com a República da Roménia, os militares da BA5 envolvidos no programa, tiveram de acumular as tarefas previstas no contrato de venda, com as normais actividades operacionais relacionadas com a frota portuguesa. Numa época em que as restrições financeiras do país impuseram cortes de cerca de 20% nos efectivos da FAP.
Sendo a Roménia um país do antigo Bloco de Leste europeu, houve ainda que ultrapassar barreiras linguísticas, culturais e metodológicas, recorrendo à secular capacidade nacional de descobrir novos caminhos e criar laços com o desconhecido.
E muitas outras pequenas histórias mais, que couberam nas 50.000 horas de mão de obra dedicadas ao programa de alienação, e que o número sugere, mas por si só não revela.
7900 horas académicas, 16.000 horas de on job training e 1250 horas de voo, são ainda assim outros números, que ajudam a perceber melhor do que foi composta a tarefa.


No horizonte, acordo idêntico actualmente em negociações com a Bulgária, bem como
a possibilidade de ampliação do número de aeronaves a adquirir pela Roménia. Em qualquer dos casos no entanto, e a concretizar-se, passará pela modernização em Portugal de aeronaves vindas dos EUA, e não pela redução da frota da FAP (que fica com um total de 30 células), como sucedeu desta vez.
A indústria de aeronáutica e defesa nacionais, e em última análise o país, terão obviamente muito a ganhar com o continuar de programas deste tipo.
Entretanto e enquanto não há mais definições para o futuro, até Setembro de 2017 serão entregues os restantes seis F-16 desta tranche, e estará destacada uma equipa da BA5 a prestar assistência técnica na Roménia, até um ano mais tarde.

TCor João Rosa, o ministro da Defesa Nacional Azeredo Lopes, Primeiro Ministro António Costa e o ministro da Defesa romeno 

Por tudo isto e muito mais, a FAP e a BA5 estão de parabéns e podem apresentar-se como exemplos de excelência para o país. O mesmo país que tantas vezes maltrata e calunia gratuitamente a instituição militar. Pode e deve colocar os olhos nesta história, para perceber como se constrói o sucesso.

Três dos primeiros seis F-16 entregues à FAR

NOTA: Como curiosidade, as aeronaves alienadas à Roménia usaram na FAP os números de cauda 15121 e 15123 a 15130 (monolugares) , 15137 a 15139 (bilugares). Algumas voam ainda com as cores portuguesas a partir de Monte Real, até serem pintadas com a camuflagem romena.
Envergarão as matrículas 1601 a 1609 (monolugares) e 1610 a 1612 (bilugares) quando forem finalmente entregues à Roménia. 

1610 o primeiro F-16 bilugar entregue à Roménia, ex-FAP 15137


JOINT WARRIOR 15-1 - A Marinha Portuguesa nos mares do Norte

Texto: Paulo Mata
Artigo publicado no jornal Take-Off de Março de 2015

Typhoons FGR4 alinhados junto à torre de controlo de Lossiemouth, Escócia
Escócia: terra de clima agreste, talhada por duros guerreiros ao longo dos séculos. O mais conhecido de todos, porventura William Wallace, (imortalizado no galardoado filme de 1995 “Braveheart”) que conseguiu unir vários exércitos numa única força conjunta. Não é de estranhar por isso que o maior exercício militar realizado na região, tenha por nome Joint Warrior. Sendo “Joint” referente à natureza conjunta do exercício,  englobando as forças aéreas, navais e terrestres.

Eurofighter Typhoon FGR4
De periodicidade semestral, o Joint Warrior, tornou-se no maior exercício táctico europeu. Prova disso foram os 55 navios de superfície e submarinos que reuniu na sua primeira edição de 2015 (15-1), entre 13 e 24 de Abril. Entre eles, pela primeira vez desde 2008, uma participação portuguesa, com a fragata NRP Álvares Cabral e o Lynx Mk.95 do destacamento “Hooters” da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha (EHM).


A guerra no ar
Parelha de Tornado GR4 da Esquadra XV (R) regressa a Lossiemouth
 Apesar de ser um exercício de organização da Marinha do Reino Unido (Royal Navy), o Joint Warrior é um exercício destinado a treinar os três vectores de força militar: terra, mar e ar.
Edições anteriores contam com uma extensa lista de esquadras aéreas e aeronaves  participantes, tanto internas, como externas, com especial assiduidade para as francesas, americanas e canadianas. 

Typhoon FGR4 à partida para um missão nocturna
Na versão 15-1 contudo, o esforço de Guerra no Médio Oriente, limitou a presença de caças, praticamente aos Typhoon e Tornado da RAF (lançados a partir de Lossiemouth) e aos Hawk da Royal Navy (a partir de Prestwick) e F-16 turcos ( desde Leeming) na função de agressores.

CP-140 Aurora canadiano, um P-3C da US Navy e Marinha alemã

Mesmo as aeronaves de patrulhamento marítimo (MPA) normalmente bastante numerosas, ficaram este ano reduzidas a cinco unidades, embora bastante diversificadas, incluindo um P-8A Poseidon (EUA) dois P-3C (EUA e Alemanha), um CP-140 Aurora (Canadá) e um Atlantique II. A sua actividade foi ainda assim bastante intensa e com as missões a durarem entre as cinco e as nove horas cada, revezando-se nos céus.
Aeronaves de transporte actuaram a partir de Marham e os reabastecedores desde Brize Norton.



A guerra no mar

Posto de observação do Atlantique francês

Os 55 vasos de guerra que integraram o exercício 15-1, tornam-no o maior de sempre até à data. Simulando duas forças navais em conflito, sendo a agressora representada pelo Standing NATO Maritime Group 2 (SNMG2), actuando contra uma força liderada pela Royal Navy, sob a égide da NATO.

Um CP-140 Aurora canadiano, presença habitual nos exercícios Joint Warrior
Se houve lições retiradas da II Guerra Mundial, a de que os meios aéreos são essenciais para vencer no mar, é inevitavelmente uma delas. Por essa razão, quer os MPAs de asa fixa com base em terra, actualmente com capacidade de comunicação em rede com os meios navais, quer as aeronaves de asa rotativa transportadas pelos próprios navios (Sea King, S-70B, Lynx, MH-60, SH-60, Merlin, entre outros vários outros modelos), foram os olhos e os vectores de projecção de força rápida, como se exige a uma moderna força naval.

Atlantique da Marinha Francesa regressa a Lossimouth após 6 horas de patrulhamento

A Guerra em terra

Sikorsky HH-60G Pave Hawk da USAF
Tal como a guerra aérea, as operações terrestres foram este ano secundarizadas pela magnitude das marítimas. Ainda assim, diariamente foram conduzidas operações de resgate em zona de combate pelos HH-60G Pave Hawk da USAF (deslocados de Lakenheath para Lossiemouth). Apache, Chinook, Merlin, Lynx e Puma, com base em terra ou em navios de desembarque, realizaram missões diurnas e nocturnas em terra, incluindo fogo real em vários dos campos de tiro da Escócia. C-130 Hercules estiveram também presentes nas missões de transporte de tropas e/ou carga, sempre que necessário.

Aparecer sem ser convidado

Parelha de Typhoon FGR4 equipados com mísseis AIM-132 ASRAAM
Além das forças e meios convidados, na primeira edição do Joint Warrior de 2015 compareceram também alguns não convidados, protagonizando mais um episódio de tensão, nas relações recentes Leste-Oeste.
Tirando partido das condições definidas pelo Tratado de Armas Convencionais de Viena, uma delegação russa solicitou comparência na base aérea de Lossiemoouth, precisamente durante a realização do exercício. Como estranha “coincidência”, puderam ainda presenciar in loco, a reacção a um alerta aéreo através de uma parelha de Typhoon, em resposta à aproximação de dois bombardeiros estratégicos Tu-95… russos!



A participação nacional

Colocação de torpedo Mk.46 no Lynx da EHM
A Marinha de Guerra Portuguesa marcou presença este ano, tal como referido, no Joint Warrior.
Foi por isso possível ver o Lynx n/c 19202 da EHM nas funções de guerra anti-submarina (ASW) e anti-superfície(ASUW), para as quais foi inicialmente concebido e está, naturalmente, à vontade.
Adicionais acções incluíram ainda missões logísticas, acumulando um total de 08h35 (5h10 min em guerra ASW e ASUW e 3h25 em transporte logístico).
Tanto nas missões bastante executadas recentemente em cenário real, no domínio das ameaças assimétricas (pirataria, combate a actividades de tráfico, etc), como na chamada “guerra clássica”, algo secundarizada durante os anos que sucederam ao fim da Guerra Fria, foi possível realizar um treino de elevada qualidade e exigência, tirando o melhor partido da oportunidade de integrar o mais complexo exercício naval da Europa.
Fragata da Marinha Portuguesa NRP Álvares Cabral

O estreitamento de laços com a Marinha britânica, tem aliás vindo a ser intensificado, com a Armada lusa a comparecer já depois do Joint Warrior no Operational Sea Training em Inglaterra, desta feita com a fragata NRP Vasco da Gama, permitindo tirar partido das reconhecidas capacidades e know how da Royal Navy, para incorporar e partilhar conhecimentos. Novo regresso está também já agendado para a Escócia, para a segunda edição de 2015 do Joint Warrior.



Agradecimentos: Marinha de Guerra Portuguesa


DOSSIER F-16 AM 15133 - [17ª Actualização]

2016 - outubro - 10

15133 na cabeceira da pista 05 de Lossiemouth

Entre 9 e 21 de outubro de 2016 decorre o exercício Joint Warrior 16-2, na base escocesa de Lossiemouth. O 15133 é um dos cinco F-16AM destacados com os pilotos das esquadras 201 e 301.
Nesta edição participa ainda o NRP Álvares Cabral, com um helicóptero Lynx Mk.95 da EHM a bordo.
O  Joint Warrior é o maior exercício de operações combinadas, de realização regular na Europa.


2016 - setembro - 18


No passado domingo, dia 18, no dia em que a Base Aérea nº5, em Monte Real, esteve aberta ao público, no âmbito das comemorações dos 64 anos da Força Aérea Portuguesa, o 15133 foi uma das aeronaves presentes no dispositivo operacional que abrilhantou aquele dia, em termos de atividade aérea e exposição estática. Na foto, observamo-lo estacionado na placa frente ao público.  
Foto: Rui Ferreira.


2016-maio-23
A 23 de maio, comemoraram-se os 60 anos da Base Escola de Tropas Paraquedistas, em Tancos.
A efeméride juntou alguns milhares de militares e ex-militares e foi abrilhantada, também, por várias passagens de dois F-16, sendo que um deles foi o 15133, aqui registado pelo fotógrafo e Sargento Ajudante Paraquedista na reserva, Carlos Correia. 
 

 2016-maio-20
Apesar de a Esquadra 301 - Jaguares não ter participado no Tiger Meet deste ano, a Força Aérea fez-se representar naquele evento, através da presença de uma parelha de caças F-16AM, o 15141 e, justamente, o 15133.
A fotografia, do André Carvalho, foi obtida a longa distância e com 30ºC centígrados, factos que concorreram para a definição algo sofrível da imagem. 

 
2016-março-02
Como já vem sendo habitual, o Real Thaw disponibiliza um dia para que os entusiastas da fotografia possam registar a operação das aeronaves. Ficam mais três excelentes registos, da autoria de Floriano Morgado, que revelam o 33 em todo o seu esplendor.
Fotos obtidas no dia 2 de março de 2016.

 Na linha da frente, aguardando nova missão...

...Numa descolagem em full afterburner, já a recolher o trem de aterragem e a escassos metros da pista...

...e aqui efetuando uma passagem, já com o sol de fim de tarde a iluminá-lo.
 
2016-março-01
O 15133 é um dos caças F-16AM destacados pela Força Aérea Portuguesa em Beja, para participar no exercício "Real Thaw 2016.
Nas imagens seguintes, ei-lo na linha da frente e a aterrar de regresso de mais uma missão conjunta  e operacional, no dia 1 de março de 2016.
Fotos: Francisco Brito Alves. 


 

2016-janeiro-10
Uma imagem rara, obtida em Volkel, e que revela uma configuração pouco habitual nos F-16 nacionais, isto é, o uso de um AIM-9Li (inerte) na estação nº2, sendo que as restantes estão "limpas". Por norma, e sempre que a aeronave não transporta o AIM-120, o 9Li é montado na estação 1 ou 9.
De notar, também, que à data da imagem, 2004, o 33 ainda tinhas as marcas junto ao canopy em "low vis", nomeadamente a seta de "Salvamento/Rescue".  (Foto: Maurits_2011)

 

(2015-julho-12)
O 15133 aqui registado em manutenção, no passado dia 12, aquando das comemorações dos 63 anos da Força Aérea Portuguesa, no dia de Base Aérea aberta, em Monte Real.



(2014-julho-13)
O "33" foi um dos 12 aviões que, na comemoração dos 20 anos de F-16 em Portugal, descolou para uma formação comemorativa do evento. O Rafael Vieira registou o momento em que o 15133 efetuou um low pass sobre a Base Aérea de Monte Real. 

 
(2014-fevereiro-24)
O André Carvalho, a quem o Pássaro de Ferro agradece a cedência das fotos, captou o "33" que, em 12 de fevereiro passado, fez parte integrante da exposição estática organizada por ocasião do Spotters Day do exercício Real Thaw - 2014. O avião surge, debaixo de chuva e "armado" com uma bomba GBU-49, dois AIM-120 e um AIM-9Li, uma configuração usada por alguns dos F-16 nacionais nas missões integrantes daquele exercício.
O avião apresenta, também, o nome do piloto na lateral esquerda do canopy, bom como o nome do Crew Chief (CC) e Weapons Loader na face interior da porta do trem dianteiro, como documentam as fotos.




 

(2013-novembro-01) 
Aqui apanhado em 26 de novembro, em Monte Real, pelo Ivo Pereira. Reparar no detalhe da segunda foto, em que o piloto parece olhar diretamente para o fotógrafo. 




(2013-novembro-01)
O 15133 estacionado numa das "raquetes" da BA5, ostentando as marcas "Maj Luís 'Pitstop' Silva" na base do canopy, à semelhança do que acontece com alguma tradição nos aviões norte-americanos. Foto: Rui Bruno.



  
(2013-julho17-31)
Aqui, fotografado em exposição num hangar do Aeródromo de Manobra nº1 em Maceda-Ovar, durante o exercício Hot Blade 2013. Foto: Rui Bruno.



(2013-junho-13/15) 
O 15133 (juntamente com o 15108) faz parte da representação portuguesa nas comemorações dos 100 anos da Real Força Aérea Holandesa, que se assinalaram em Volkel.


(2012-Fevereiro-06)
O Spotter Ivo Pereira "apanhou", no passado dia 2 de Fevereiro, o 15133 repintado. Saiu o "Jaguar" da deriva e o avião apresenta-se, por esta altura, com um aspeto de "como novo"! Sendo por agora igual aos restantes "companheiros" de frota, exceção feita ao 15106 e 15121, o 33 é e será sempre o 33!


O Rui Sousa lembrou e bem, que o 15133 esteve na Ilha da Madeira, numa incursão integrada nas comemorações dos 58 anos da Força Aérea, em Julho de 2010, conforme este par de imagens recorda e eterniza. 

 Aterragem do F-16AM 15133 na pista 05 do Aeroporto Internacional da Madeira. Uma visão muito rara!

Aqui vemos o 33 estacionado na placa do aeroporto, vendo-se ao lado um C-295 e lá ao fundo, o topo da deriva de um Airbus A-319 da Easy Jet!
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(2011-Março-23) 
Mais uma fotografia histórica do 15133 armado com um míssil real AGM-65 Maverick, obtida em Monte Real em 23 de Março de 2011 pelo Marco Casaleiro.
O avião apresenta as marcas do tempo e das intervenções da manutenção na sua pintura, o que lhe proporciona um aspecto verdadeiramente apetecível para os modelistas. 
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Duas imagens do 15133, obtidas no início de Junho de 2010, sendo que a primeira, um "close" da segunda, revela o piloto e o seu "escritório" em todo o seu esplendor.
Aconselha-se um duplo clic sobre as fotos para a sua visualização em pleno potencial.
O Pássaro de Ferro-Operations agradece ao Hélder Afonso e reconhece a sua mestria na captação destas imagens!


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 Dossier
O F-16A Block 15 (USAF 83-1076) entrou ao serviço activo em 5 de Julho de 1984.
Os interessados em saber da sua história, deverão aceder a este link e verificar as diversas etapas (conhecidas) da vida desta aeronave.



O 15133 é o aparelho 83-1076 visível nas fotos, em duas "encarnações" diferentes.

No que respeita à sua história que mais directamente tem a ver com a Força Aérea Portuguesa (FA), alguns factos, digamos que mais notórios, serão aqui glosados, sem que se entre numa espécie de história exaustiva da aeronave. Essa deverá ser contada mais tarde...
Este F-16 foi retirado do activo da Força Aérea Norte-Americana em 21 de Junho de 1994 altura em que passou a fazer parte do AMARC (Aerospace Maintenance and Regeneration Centre).
Em 12 de Maio de 1999, é integrado no “Pack” de 25 aparelhos constantes do Peace Atlantis II, com vista à constituição de uma segunda esquadra de F-16 na Força Aérea Portuguesa, no padrão MLU – Mid-Life Update.
Este aparelho viria a ser uma das aeronaves Lead The Fleet (LTF) do programa - a primeira  e a monolugar (o 15139 foi o LTF bilugar)-  e marcou uma viragem quase estratégica no conceito de aquisição de aeronaves para a FA. Efectivamente, pela primeira vez, um aparelho de última geração da aviação de combate é “produzido”em território nacional, abandonando a ideia da aquisição pura e simples de aeronaves, já “prontas” à operação pela arma aérea.
Este novo conceito permite, por exemplo, que a própria Força Aérea possa gerir melhor a operação das aeronaves, já que todo um conhecimento dos seus mecanismos “físicos” e de “miolo” estão devidamente sustentados em conhecimentos próprios, consolidados ao longo de anos de formação e preparação, solidificando hoje a produção/modernização das aeronaves em curso, aligeirando desse modo os processos e, pormenor não despiciendo, reduzindo custos.
Todas estas operações só são possíveis, entre muita inovação, como as Lean Technics, já afloradas aqui, fruto de diversas parcerias e com a “garantia” do grupo EPAF - European Participating Air Forces no que toca à partilha de experiências de produção e modernização permanente das respectivas frotas de F-16.
O F-16AM 15133 da FA efectuou o seu primeiro voo com as cores nacionais em 11 de Junho de 2003, nas instalações das OGMA – Oficinas Gerais de material Aeronáutico, no padrão M2 e tripulado pelo então Maj PILAV Alberto Francisco.

O 15133 estacionado em Alverca - OGMA, com o então Maj PILAV Alberto Francisco aos comandos

Em Setembro de 2003 passa a integrar o efectivo dos aparelhos voados pela Esquadra 201 – Falcões, sendo que todo o processo de adaptação ao novo tipo de aeronave passa a ser feito no então denominado “Núcleo MLU da Esq. 201”.

Uma das primeiras fotos do 15133 operacional na BA5, obtida pelo incontornável Jorge Ruivo

Em 2004 integra o exercício FWIT - Fighter Weapons Instructor Training,  que decorreu na Holanda e Noruega entre Maio de Setembro.


Duas imagens do 15133, obtidas por (c) JPSimão em 2004

Em 25 de Novembro de 2005 é integrado no efectivo dos aparelhos MLU da Esquadra 301 – Jaguares, acabada de ser transferida de Beja para a Base Aérea nº 5 em Monte Real. O facto de ostentar na sua deriva um "Falcão" - marca dos tempos iniciais em que foi operado pela Esquadra 201, - deu sempre motivo para algumas piadas, mais ou menos tradicionais entre as duas esquadras de Monte Real, num espírito herdado dos tempos em que por lá conviviam duas esquadras de A-7P...
Em 2006, participou no OT&E - M4 (Operational Test & Evaluation da Tape M4) em Leuwarden, na Holanda.

Nesse mesmo ano, participou no NTM06 - Nato Tiger Meet 2006 em Albacete, Espanha, com uma característica pintura de cauda.


O 15133 no NTM2006 em Albacete - Espanha

Em 2007 participa novamente num NTM, desta feita na Noruega, onde o “Jaguar” , símbolo máximo da Esquadra 301 - Jaguares, surge pintado na deriva.

 Foto do 15133 obtida em 23 de Outubro de 2007 em Monte Real - (c) A. Luís

Em 2008, o 15133, quando fazia parte integrante da Esquadra 301 no TLP – Tactical Leadership Program, em Dezembro e durante uma aterragem, o piloto ejectou-se e o avião saiu da pista, sofrendo danos que o inibiram de voar durante mais de um ano.
Como curiosidade, pode referir-se, como uma "nota de humor" que que este é o único F16 português que recebeu um "certificado de baptismo de voo", passado pela esquadra "Bisontes" aquando da sua desmontagem e transporte da base aérea de Florennes em Janeiro de 2009 para recuperação e reparação na BA5 - Monte Real

 Imagem do 15133 acidentado, notando-se alguns danos e as marcas da ejecção do piloto

Em Fevereiro passado, mais precisamente no dia 26, o 15133 é devolvido aos céus, no primeiro voo de ensaio depois da paragem, no culminar de aturado e meritório trabalho efectuado em Monte Real, fazendo prova real das capacidades técnicas granjeadas pela Força Aérea e sobretudo nas equipas de manutenção da frota F-16. 


 Sequência de imagens do F-16AM 15133, obtidas pelo Hélder Afonso e que retratam aspectos da sua manutenção e do seu regresso aos céus.
(Actualização de 1 de Abril) 
 Patch alusivo à operação de recuperação do 15133 - Foto (c) Hélder Afonso

(Actualização de 12 de Abril) 
Mais duas imagens do 15133. A primeira, obtida em 2007 durante a passagem num "Festival Aéreo" em Vila Real, numa altura em que o avião não ostentava nenhuma marca na sua deriva. Foto do João Corredeira.
A segunda, aqui por baixo, foi obtida em Setembro de 2003, poucos dias depois  do avião ter iniciado a sua operação na Esquadra 201 - Núcleo MLU. Neste dia , o avião viria a ser voado pelo então Maj PILAV Alberto Francisco.


O 15133, fotografado em 27 de Abril passado, já plenamente operacional e no padrão M5.

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